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PACTA SUNT SERVANDA
Todos contratam com a vida pelo menos um dia

Um dia de paz, um dia de glória

Uma casa no sitio, uma alegria simplória

Ou, até mesmo, uma emoção vazia





Todos contratam com a vida pelo menos um sonho

Uns querem amor, outros querem poder

Há os que pretendem fugir do mundo medonho

Há também os que se perdem no labirinto do ter





Sim, a vida permite sorrir, correr, chorar

Ver as estrelas do céu, as ondas do mar

O colorido intenso de um escarcéu de flores

O azul imenso e intrínseco aos sutis amores




Em compensação, a vida avença e exige tudo

Sem qualquer condescendência com os inadimplentes

Faz penhor dos risos móveis, hipoteca dos dementes

Cobra letras e palavras de cada sentimento mudo




Porém a vida oferece apenas contratos de adesão

Não se discutem cláusulas de rancor nem de fé

E até o último respiro ou batida do coração

A vida, credora eterna, exigirá prestações quaisquer




E, então, para que se ame, para que se viva

Não há que se ter em meio à luta somente boa-fé objetiva

Mas qualquer força que clame e apresente na face

A concordância com o pacto que se assina quando se nasce




E, enfim, um dia chega em que a vida cobra com juros

Todas as parcelas vencidas e vincendas de apuros

Mais o montante de risos, lágrimas, e sentimentos sortidos

A fim de que todas as dívidas se liquidem

A fim de que os pactos sejam mantidos.


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www.julianavalis.prosaeverso.net
Juliana Silva Valis
Enviado por Juliana Silva Valis em 16/01/2007
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