Textos
SINA
O amor não nos abandona por acaso
Nem nos aflige como fantoches do destino
Que brincam, incólumes, em seu plano raso
Entoando sempre o mais brilhante hino
O amor não nos abandona a própria sorte
Mas nos condena como reféns de dores ou instintos
Que vagam entre o dom da vida e a dor da morte
Perdendo-se nos sonhos que são labirintos
Se o amor abandonasse a sua fiel essência
E fosse apenas pássaro cruzando os horizontes
Existiria menos conteúdo e mais aparência
Da liberdade que então jorra em fontes ?
Se o amor abandonasse o crucial anseio
De ser a maior parte de um fim supremo
Existiria ainda o sonho que constitui o meio
Pra concretizar a utopia de um ideal ameno ?
Quando o amor é abandonado à sua sina
E se sente plenamente órfão de esperança e fé
Toda vã matéria se decompõe sem rima
Ao perguntar à vida o que ela mesma quer
Mas quando o amor encontra, enfim, abrigo
No coração de alguém mais forte e constante
Que não se renda ao rancor de qualquer vil castigo
A vida se torna melhor, sublime, sã, triunfante.
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Juliana Silva Valis
Enviado por Juliana Silva Valis em 14/01/2007