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OXIGÊNIO ONTOLÓGICO
Assim como a lua não vive sem noite

Assim como o sol não reina sem dia

Não sei existir sem a letra que açoite

Não sei viver sem respirar poesia



Assim como o céu apenas brilha no alto

Assim como o mar apenas urge no fundo

Não sei andar seguindo apenas asfalto

Não sei parar vivendo apenas no mundo



E como rosa sem dor nem espinhos

Não sei sorrir sem um poema na alma

Mas sei chorar sem direção nos caminhos

Que a vida escreve, afoita, sem calma



E como cravo sem cor nem lembranças

Não consigo ingerir a realidade insossa

Sem poemas que são como ágeis crianças

Brincando, vivendo e fugindo da fossa



Pois o poeta transforma a noite em dia

Edifica a letra sempre em lances plenos de paz

Faz o vento cantar e sussurrar poesia

Enaltecendo o caminho que a palavra perfaz



E assim como os sonhos se erguem aos montes

Assim como as luzes clareiam a vida

Cada poema traça mais de mil horizontes

Com toda graça que o destino elucida



Assim como a vida não se mantém sem amor

Assim como a morte não se mantém sem lembranças

Não sei viver por fora dos versos de ardor

Ainda que o tempo se perca em letras e lanças



Pois o poeta é refém da rebeldia dos sonhos

Como se os sentidos das letras fossem mil labirintos

De emoções, de fraquezas, de sentimentos medonhos

Que alimentam os tempos e os poemas famintos



E assim como o céu não sobrevive sem lua

Eu não conseguiria sorrir nem mesmo um dia

Sem flutuar nas letras que transcendem a rua,

Porque eu não sei mais viver sem respirar poesia...
Juliana Silva Valis
Enviado por Juliana Silva Valis em 06/01/2007
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